“My dream is to fly. Oh, my rainbow it is too high.” Ruslana Korshunova.

•Julho 17, 2008 • 6 Comentários

A modelo Ruslana Korshunova, descendente de russos e nascida no Cazaquistão, tinha uma carreira de sucesso, amigos e um dos principais atributos de beleza feminina de seu país-natal: os cabelos longos.

O corpo da modelo foi encontrado no sábado, dia 28 de junho, em frente ao prédio onde morava em Manhattan, Nova Iorque, após aparentemente ter se jogado de seu apartamento, no nono andar. Apesar de seus amigos afirmarem não conhecer nenhum motivo que pudesse levá-la ao suícidio, desabafos que Ruslana postou num site de relacionamentos russo na internet indicam um humor inconstante.

“Estou tão perdida. Será que vou me encontrar?”

Outros se dedicavam principalmente ao amor.

“O amor é o sol; o desejo, apenas carne. O desejo ofusca, e o sol dá vida.”

“A vida é curta, quebre regras, perdoe rápido, beije lentamente, ame de verdade, ria descontroladamente e nunca lamente nada que tenha feito você rir.”

Ruslana Korshunova

2 de julho de 1987 (Almaty, Cazaquistão) – 28 de junho de 2008 (Nova Iorque, EUA)

Peças

•Julho 16, 2008 • Deixe um comentário

Hoje estava pensando sobre algo que eu não conseguia entender quando mais novo. Refiro-me àquelas mulheres que apanham dos maridos ou namorados e, ainda assim, continuam com eles, “por amor”. Sempre achei isso uma babaquice. Mas agora que me encontro na mesma situação que elas, percebo como é doloroso aceitar o fato de que quem você ama não presta.

Eu fui me apaixonar por um cara que finge que não lembra o meu nome, me ignora quando me vê na universidade, faz pouco de mim, me enrola e me destrata. Claro que eu não tinha noção de nada disso quando me apaixonei por ele. Na minha mente (e no meu coração) ele seria doce e gentil comigo como é com todos os outros. Mas a verdade é que eu tenho tratamento diferenciado (deveria me sentir lisonjeado com isso?) e me veio como uma bomba a constatação do quanto é doloroso desconstruir a paixão que você construiu com lembranças tão bonitas e importantes pra você. É necessário desfazer o amor peça a peça pra conseguir se libertar. Foi o que eu fiz. O problema é que, sempre que eu o vejo, percebo que deixei algumas peças juntas.

“Tous les garçons et les filles”, de Françoise Hardy. Bem conveniente.

Le weekend

•Julho 13, 2008 • Deixe um comentário

Ainda dói, mas com o tempo estou aprendendo a não me importar com ele. A noite de ontem pra hoje foi ótima, conheci alguém interessante e fui paquerado por dois caras; um deles poderia ser o príncipe encantado de qualquer menininha por aí. Eu me senti lindo e querido, não só por eles, mas principalmente pelos meus amigos, que me fizeram sentir extremamente confortável em lugares completamente estranhos. Pela primeira vez, creio que tenho um grupo confiável de amigos no meio gay.

Ontem nós fomos à casa de Raissa, uma das minhas melhores amigas, e nós dois passamos um bom tempo conversando, o que foi muito bom pra ambos. Eu falei sobre o meu “ele”, ela falou sobre os “eles” dela e nós pusemos o assunto em dia (a última vez em que nós havíamos nos encontrado foi há meses). Ela estava sem dormir há três dias, então eu a deixei adormecer e fui à cobertura do prédio dela onde tava todo o pessoal. Foi extremamente divertido: Agatha falou besteira, Kuat cantou em francês, Belinha deitou no meu colo e eu vi gente que há tempos não via. É sempre bom sair e esquecer dos seus problemas pessoais pra entrar na vibração positiva dos outros. Apesar de que eu fiquei ainda mais doente com o vento frio que peguei lá em cima.

Quando Ariadne, também uma das minhas melhores amigas, chegou, nós já estávamos indo embora, mas não pra casa: fomos ainda a uns bares perto da orla da cidade e eu ri feito um idiota. É incrível como eu consigo mudar tão rápido de sério e indiferente às pessoas a infantil e comediante. E, ao contrário do que parece, isso não é nada ruim. O que eu aprendi ontem e hoje é que é impossível ser querido por todos, óbvio, mas você não precisa ser rodeado por aquelas pessoas que odeiam você ou simplesmente o ignoram. E eu estou aprendendo também a ter de novo a auto-estima que me roubaram.

Eu sei que esse post foi o mais “querido diário” de todos até agora, e prometo que não escreverei coisas assim com freqüência. No mais, um ótimo domingo pra quem lê. Abraços.

I once fell in love with you/ Just because the sky turned from grey into blue

•Julho 6, 2008 • Deixe um comentário

Ontem eu sonhei com ele. A gente ia pra casa de um amigo ajudá-lo com um trabalho da universidade, confeccionando tesouras escolares a mão (era um sonho, não precisava fazer sentido) enquanto “Good Friday”, de CocoRosie, tocava nitidamente ao fundo. De repente, eu e ele estávamos abraçados, sozinhos e nos beijando, e acho que eu estava chorando também. Então ele afastou com cuidado meu rosto do dele com as mãos, e disse: “Eu vou morar em São Paulo”.

“Good Griday”, por CocoRosie.

4 de julho

•Julho 4, 2008 • 3 Comentários

Hoje faz exatamente oito anos que minha vida desandou por completo, e pouca coisa parece ter mudado desde então. No dia 4 de julho de 2000, eu, com dez anos de idade, dei meu primeiro beijo gay, no meu melhor amigo de toda a infância. Foi antes de irmos dormir, no meu quarto, em frente ao banheiro social, onde minha mãe se esforçava pra fazer minha irmã mais nova escovar os dentes. Passei meses em profunda depressão, tentando me acostumar com a idéia de ter beijado outro garoto. Quando finalmente consegui digerir o fato, outro fantasma veio me assombrar: a possibilidade de minha mãe, no banheiro na frente do meu quarto, ter visto a cena. Passei os próximos anos da minha vida (o término da infância, a pré-adolescência e o início da adolescência) me machucando por isso.

Quando passei a aceitar o fato de que eu era gay e que não havia nada de errado nisso, achei que conseguiria superar os acontecimentos daquele fatídico 4 de julho e recuperar a felicidade de outrora, mas estava enganado. O sofrimento de anos a fio havia me imputado uma marca de dor insuperável: o transtorno obsessivo-compulsivo. Ele surge em pessoas com um peso na consciência tão forte, que passam a realizar rituais repetitivos pra punirem a si mesmas (como lavar as mãos até elas sangrarem ou só terminar o banho quente quando conseguir mentalizar de forma satisfatória o som de um lápis grafite caindo no chão de cerâmica grossa; ou nunca pisar nos limites entre os ladrilhos da calçada; ou voltar diversas vezes à escola pra verificar se realmente pegou o seu filho que está segurando na sua mão, assustado; ou não tocar em maçanetas; ou não dormir enquanto não tiver rezado o rosário três vezes para se purificar; ou jogar todas as suas roupas no lixo e pedir novas, porque as antigas estavam sujas; ou sempre policiar os seus pensamentos de modo a não machucar ninguém além de si mesmo).

É óbvio que eu sempre terei essa desvantagem em relação aos outros garotos. E o fato de eu andar freqüentemente deprimido faz as pessoas se afastarem de mim, julgando-me arrogante ou anti-social, e mesmo acreditando em mentiras que andam espalhando por aí sobre mim. A verdade é que eu preciso de amigos e de pessoas que realmente se importem comigo pra que eu possa, por alguns instantes, esquecer de mim e dos meus problemas, e viver o que me resta da adolescência. E eu sinto falta, acima de tudo, de alguém com quem dividir os meus planos futuros e que me ligue às dez horas da noite pra me desejar bons sonhos. Então quando você ralhar comigo por um motivo qualquer ou decidir que eu não mereço a sua atenção ou o seu amor, ou ainda preferir acreditar que eu estou tentando destruir todos os laços afetivos ao meu redor, lembre-se de que eu sou uma ferida aberta. E como ferida aberta, não preciso de mais adagas apunhaladas nas minhas costas.

Por favor, aceite meus pedidos de desculpa pelo que eu não fiz. Eu preciso tanto me livrar do seu fantasma.

Rehab do coração

•Julho 3, 2008 • Deixe um comentário

Hoje passei o dia em profunda depressão. Logo de madrugada, como se pode ver na minha postagem anterior, a mudez de alguém me tirou todo o ânimo. Depois de esperar inutilmente e de Ariadne ser vencida pelo sono e sair do MSN, decidi que era hora de dormir. Dormi feito uma pedra. Tanto que a empregada chegou às 6h30min, meus pais e minha irmã chegaram de viagem, todos apertaram a campainha e ligaram pro meu celular e eu só fui perceber e abrir a porta às 10 da manhã, achando que ainda era cedo. Voltei pra cama. Ouvi bastante barulho de uns meninos aqui em casa no computador (eram meus primos, eu não sabia). Eles entraram no perfil de um menino bonito que eu tinha visto no Orkut e começaram a se perguntar de onde é que aquilo tinha aparecido. Ouvindo da cama, entrei em pânico. Mas felizmente eu tinha tido o cuidado de apagar (quase) tudo incriminador no computador.

Depois do almoço, fiquei deitado na cama, esperando eles desocuparem o PC pra fazer uma resenha de Cultura dos Povos de Língua Inglesa. Quando eles finalmente saíram, meu pai decidiu monopolizar o computador. Só na última hora consegui fazer a resenha, mas até que ficou boa. Apesar de ter menos de uma página e meia. Nem pude ver a reação da professora. Cheguei bem rápido na UFPB, deixei o CD-Rom que eu tinha que dar pra Chuck com ele e a minha resenha com Jéssica. Esperava em vão encontrar Você-Sabe-Quem (não, não Voldemort) mas aconteceu como eu já imaginava e eu tinha que ir rápido pra UEPB fazer a prova final de Introdução às R.I.

Agora que eu voltei pra casa, reli a conversa que eu tinha tido com ele que tinha me deixado esperançoso, e vi que não tinha nada de realmente empolgante nela. Daqui a pouco vou dormir. Saco. Preciso de uma ilusão nova.

Resistir à tentação?

•Julho 2, 2008 • Deixe um comentário

Sempre que aquela janelinha branca com a foto de um garoto loiro de roupa azul sobe no canto da tela do meu computador, meu coração começa a bater desgovernado. “Ele tá online”, constato. Sinto um impulso quase irresistível de abrir a maldita janelinha e falar qualquer coisa com ele no MSN. Qualquer coisa. Mas eu não posso me sujeitar a esse tipo de papel. Eu preciso ter amor próprio, preciso me recompor.

O passo seguinte é contar a todos os meus amigos que ele tá online. Divido com eles a tensão.
Mas ainda não acabou. Imediatamente, começo a mentalizar a cena em que ele toma a iniciativa e vem falar comigo, sem ter exatamente assunto, mas só com saudades de mim. Tento manter viva a esperança de que isso aconteça de verdade. Olho o subnick dele. Ele muda a cada cinco minutos, em média. Será que tem uma indireta pra mim? Ou seria pra outro garoto? Ou, quem sabe, é só um verso da letra de uma música que ele tem escutado ultimamente.

Quando percebo que ele provavelmente vai permanecer mudo, ponho tommy february6 (assim mesmo, com iniciais minúsculas e o algarismo no final) pra tocar no media player,e deito a cabeça por sobre os braços. É só mais um outra madrugada online no MSN.