Lucas
Pode parecer estranho que eu me lembre de você justamente num dos períodos do ano em que eu me sinto mais feliz. Lembro de como fiquei envergonhado por reclamar da minha vida enquanto você tinha dezenas de planos pra sua, que se foi. Eu assisti a um filme que me trouxe você de volta à mente e um aperto no coração. E ele me fez lembrar, depois de tanto tempo de indiferença da minha parte, porque eu achei você especial logo quando o conheci. Você foi uma das únicas pessoas com quem convivi na minha adolescência que me trataram como alguém que merecia cuidado e dedicação.
Lembro também da última vez em que você falou comigo. Eu estava completamente alheio a toda a multidão ao meu redor, e você me abordou pondo sua mão no meu braço. Eu me virei e você estava tão bonito e tão encantador! Mas eu disse alguma coisa sem importância, sorri e deixei você sozinho. Eu não sabia naquele momento, mas nunca mais nos veríamos. Então, meses depois, recebi notícias sobre você. Foi como um golpe de realidade quando eu estava completamente concentrado em meus próprios problemas. Não consigo me perdoar pelo modo como tratei você na última chance que eu tive de fotografá-lo na minha memória. Façamos um acordo, então: que este texto seja a nossa despedida, não aquele episódio ridículo. Eu quero que você saiba o quanto foi importante pra mim. Descanse em paz.
“I fell in love with a dead boy”, por Antony and The Johnsons.

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