Peças

Hoje estava pensando sobre algo que eu não conseguia entender quando mais novo. Refiro-me àquelas mulheres que apanham dos maridos ou namorados e, ainda assim, continuam com eles, “por amor”. Sempre achei isso uma babaquice. Mas agora que me encontro na mesma situação que elas, percebo como é doloroso aceitar o fato de que quem você ama não presta.

Eu fui me apaixonar por um cara que finge que não lembra o meu nome, me ignora quando me vê na universidade, faz pouco de mim, me enrola e me destrata. Claro que eu não tinha noção de nada disso quando me apaixonei por ele. Na minha mente (e no meu coração) ele seria doce e gentil comigo como é com todos os outros. Mas a verdade é que eu tenho tratamento diferenciado (deveria me sentir lisonjeado com isso?) e me veio como uma bomba a constatação do quanto é doloroso desconstruir a paixão que você construiu com lembranças tão bonitas e importantes pra você. É necessário desfazer o amor peça a peça pra conseguir se libertar. Foi o que eu fiz. O problema é que, sempre que eu o vejo, percebo que deixei algumas peças juntas.

“Tous les garçons et les filles”, de Françoise Hardy. Bem conveniente.

~ por ramondemon em Julho 16, 2008.

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