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•Outubro 21, 2008 • Deixe um comentário

Se eu fosse uma garota

Usaria jaqueta e uma calça desbotada

Não andaria de maquiagem

Nem com as unhas bem tratadas

Seria assim, meio estranha

Assim, meio reservada.

Você olharia pra mim se eu fosse uma garota?

Se eu fosse uma garota

Teria as pernas bem peludas

Um andar desengonçado

E uma cara meio ossuda

Ouviria rock trancada no meu quarto

Faria comédia no primeiro

Faria drama no segundo ato.

Você olharia pra mim se eu fosse uma garota?

Se eu fosse uma garota

Não seria lá muito feliz

Mas a vida seria mais simples

Não sei, é o que se diz.

Teria dias de tensão pré-menstrual

Cólicas, desejos e um olhar descomunal.

Você olharia pra mim se eu fosse uma garota?

Escrito em 4 de dezembro de 2006. Creio que estava apaixonado por algum menino hétero, sei lá. Apaixonado, não. Só me apaixonei duas vezes.

Amigos

•Setembro 24, 2008 • Deixe um comentário

Eles provavelmente não fazem idéia disso, mas meus colegas de sala na UEPB são muito importantes pra mim, muito mais do que eu provavelmente teria coragem de admitir a eles. Como eles não visitam isto aqui, posso falar o que quiser.

Às vezes, na hora de acordar, completamente inebriado de sono, me pergunto no que diabos eu estava pensando quando decidi continuar fazendo dois cursos em duas universidades diferentes. Mas não demora muito pra eu me lembrar do motivo. O fato é que essas pessoas, tão profundamente diferentes de mim, são meu combustível pra continuar levando em frente esta vida aparentemente sem propósito nenhum, e eu devo a elas boa parte das conquistas que empreendi este ano.

Não me espanta que eu tenha chorado copiosamente quando pensei em trancar minha matrícula na UEPB. Eu deixo poucas pessoas se aproximarem de mim, mas não costumo deixá-las ir embora.

Ouvindo: “Changes”, de Will Young.

Guten Tag

•Setembro 10, 2008 • Deixe um comentário

Ontem minha mãe me devolveu um caderno antigo meu que eu usava como uma espécie de diário. Antes de dormir, eu comecei a ler e tive uma daquelas sensações estranhas que a gente tem quando vê como era diferente de quem é hoje. Eu escrevi sobre coisas que foram importantes pra mim na época, mas das quais eu não tinha recordação alguma. E isso porque todo o meu diário foi escrito ano passado.

Dentro dele, havia umas folhas avulsas que eram de um diário meu ainda mais antigo, de 2006. Poesia e prosa dedicadas a um garoto que hoje eu desprezo completamente. Aliás, do garoto que ele era à época, pouco restou.

Estou finalmente de férias da UFPB, e isso é um alívio tremendo. O fim do semestre foi uma loucura (ontem tive de escrever uma dissertação de 600 palavras em sala), mas finalmente posso descansar. Apesar de que ainda tenho aula na UEPB, só de pensar que vou poder passar as noites em casa por um bom tempo é reconfortante.

Por ora, boa noite.

Security Blanket

•Agosto 28, 2008 • 1 Comentário

Estou cheio de trabalhos, de compromissos, de horários, mas estou bem feliz. Ah, e minha irmã tá fuçando todas as minhas coisas e eu tô PUTO com ela, mas ainda assim tô bem feliz. Tô escutando Puffy AmiYumi, hahaha.

Hoje eu dormi pra cacete, acabei de acordar. Ontem eu recebi uma ligação que me deixou nas nuvens. E eu ainda não desci delas até agora. É disso que eu preciso, de alguém que me faça sentir importante.

Cantem comigo, pessoooaaaaal:

I just can’t wait to see your face
And feel the warmth of your embrace
You can brighten up my day
Make sadness melt away

And I get jealous now and then
Everyone wants to be your friend
But I try not to resent
You’re with me in the end

The cowardly lion

•Agosto 19, 2008 • 1 Comentário

Você já achou alguma vez que todo o universo conspira contra você? Que sempre lhe acontecem as coisas mais erradas na hora mais errada? Provavelmente é só neura minha, mas é assim que eu me sinto há meses. Devo confessar que conheci muita gente bacana este ano, que evoluí em muitos aspectos, que estou mais tolerante em relação a muitas coisas, mas eu não consigo me perdoar pelo modo como eu agi no começo do ano com um garoto de quem realmente gostava e gosto, mesmo sabendo que foi sem querer.

Eu queria tanto ter tido coragem de passar minha mão pelos cabelos dele quando ele deitava a cabeça no meu colo! Queria tanto não ter me descontrolado de vergonha quando eu precisava mostrar o que eu sentia e (essa é a pior parte!) ainda sinto por ele. Se ao menos eu pudesse ter aproveitado alguma chance pra me deixar envolver! Como quando ele deitou ao meu lado, mexeu no meu cabelo e sorriu. E eu, idiota que sou, fiquei vermelho, balbuciei alguma coisa e virei pro outro lado.

Ele deve achar que eu sou um tremendo de um arrogante e presunçoso, e eu entendo que ele ache isso; mas se há algo pelo qual eu deva ser culpado, é pela minha covardia.

Sim, este post foi brega, e quer saber de uma coisa? Não me envergonho disso. Não mais.

Quintal

•Agosto 16, 2008 • Deixe um comentário

Era atrás da casa, muito verde e marrom por causa das árvores. E cheio de folhas no chão, que faziam barulho quando a gente andava. Tinha pé-de-jambo, e eu adorava jambo. Houve uma época em que tinha galinhas também, e eu morria de medo delas, porque ainda era criança. Tinha um daqueles pares de balanços pequenos de plástico, e mais tarde, quando a gente cresceu, fizeram um balanço maior preso a um galho de árvore.

Eu levava os brinquedos pra lá e passava a tarde toda no fundo do quintal, escondido. Tinha cheiro de terra. E hoje cheiro de terra me leva de volta pra lá.

Lucas

•Julho 30, 2008 • Deixe um comentário

Pode parecer estranho que eu me lembre de você justamente num dos períodos do ano em que eu me sinto mais feliz. Lembro de como fiquei envergonhado por reclamar da minha vida enquanto você tinha dezenas de planos pra sua, que se foi. Eu assisti a um filme que me trouxe você de volta à mente e um aperto no coração. E ele me fez lembrar, depois de tanto tempo de indiferença da minha parte, porque eu achei você especial logo quando o conheci. Você foi uma das únicas pessoas com quem convivi na minha adolescência que me trataram como alguém que merecia cuidado e dedicação.

Lembro também da última vez em que você falou comigo. Eu estava completamente alheio a toda a multidão ao meu redor, e você me abordou pondo sua mão no meu braço. Eu me virei e você estava tão bonito e tão encantador! Mas eu disse alguma coisa sem importância, sorri e deixei você sozinho. Eu não sabia naquele momento, mas nunca mais nos veríamos. Então, meses depois, recebi notícias sobre você. Foi como um golpe de realidade quando eu estava completamente concentrado em meus próprios problemas. Não consigo me perdoar pelo modo como tratei você na última chance que eu tive de fotografá-lo na minha memória. Façamos um acordo, então: que este texto seja a nossa despedida, não aquele episódio ridículo. Eu quero que você saiba o quanto foi importante pra mim. Descanse em paz.

“I fell in love with a dead boy”, por Antony and The Johnsons.

Misandria

•Julho 23, 2008 • 7 Comentários

Logo na primeira metade desta década, “simpáticas” camisetas com o desenho de um garoto correndo de cinco pedras e, ao lado, os dizeres: “Boys are stupid, throw rocks at them” (garotos são estúpidos, joguem pedras neles) apareciam em várias vitrines de lojas especializadas nos EUA. O que era só uma “brincadeira” da David and Goliath, uma companhia de roupas de Clearwater, Flórida, acabou virando tema de debate nacional quando a revista estadunidense Times publicou um artigo sobre o tema, junto com o depoimento de uma garota de dez anos: “Eu quero deixar os meninos tristes, porque é divertido”.

Em dezembro de 2003, o apresentador de rádio e ativista dos direitos dos homens, Glenn Sacks, iniciou uma campanha contra a famigerada linha de camisetas. E logo se juntaram outros ao coro de reclamações, como a National Coalition of Free Men. Pode parecer bobagem tanta briga por causa de umas camisetas idiotas, mas a verdade é que se se trocassem “boys” por “girls” ou “black people”, por exemplo, a reação seria ainda pior. Que tipo de sociedade é essa em que estigmatizar e humilhar homens é moralmente aceitável? Em que um menino não pode bater numa menina, mas em que meninas batendo em meninos não causa comoção alguma? Até que ponto o movimento feminista (do qual faço parte) tornou tolerável a misandria?

Nós, homens, precisamos deixar o machismo de lado e nos unirmos para reivindicar direitos que nos são negados. Entre problemas enfrentados pela população masculina e neglicenciados pela sociedade em geral, estão:

Os altos índices de depressão e suícidio entre adolescentes do sexo masculino (aproximadamente quatro vezes maior que entre as garotas);

A responsabilidade dada muitas vezes arbitrariamente pela violência doméstica;

A preferência das cortes judiciais em dar a guarda dos filhos exclusivamente à mãe;

A obrigação unicamente masculina de se expor aos perigos da vida militar e dos subempregos que requerem trabalho bruto;

A ridicularização da sexualidade masculina (é mais aceitável a existência de lésbicas que de gays), etc.

É hora de os garotos se unirem e ativarem o até então dormente Boy Power! Demos força ao movimento masculinista!

Feliz aniversário, Fanny

•Julho 20, 2008 • Deixe um comentário

A madrugada de ontem pra hoje foi extremamente divertida. Bem, refiro-me ao máximo de diversão que consigo ter com integrantes da comunidade gay desta cidade. Minhas amigas Xuh e Lili vieram de Brasília pra passar um tempo aqui. Elas são uns amores. Sinto falta de quando elas moravam aqui. Às vezes eu as invejo. Liliana se assumiu lésbica pra família de repente e disse que ia morar com a namorada em Brasília (Xuh, que teve que sair daqui e voltar à cidade-natal). E elas têm a minha idade. Definitivamente, não consigo me imaginar tomando riscos tão grandes. Os meus pais me criaram pra nunca ficar muito distante da porta de casa.

Hoje é o aniversário de Fanny, felicitações pra ela. Nós cantamos “Parabéns pra você” na praia, com direito a violão, lua cheia e tudo só pra homenageá-la, e ela chorou. Conheci a tal da Gabi, amiga dela. E mais algumas pessoas bem interessantes, além de reafirmar para a população desta cidade que eu NÃO cumprimento quem não me cumprimenta primeiro. Não é arrogância, é falta de atenção. E, por fim, devo ressaltar que fiquei assustado com o modo como o meu nome anda mais na boca do povo do que imaginava. Isso levando-se em consideração que eu mal saio de casa. Acho que foi bastante coisa pra se viver em três horas.

Abraços.

P.S.: como se vê nesse artigo, eu não estou cumprindo a promessa de não transformar isto aqui num diário. Mas ainda pretendo escrever sobre coisas que não interessem exclusivamente a mim.

Perdão

•Julho 18, 2008 • 1 Comentário

Acho que ele está magoado comigo. Talvez, quem sabe, tenha lido o meu post sobre como ele me tratava e tenha se sentido injustiçado. A verdade é que, por mais que eu tenha me machucado com a forma como ele agiu comigo, creio que o fez na tentativa de me causar a menor quantidade de dor possível. Ele nunca me disse “não”, mas apelou para as táticas que considerou serem as mais adequadas pra me dizer que a minha paixão não era correspondida. E eu o respeito por isso. Ele se importou com os meus sentimentos, e eu lhe sou extremamente grato. Então eu espero que, se ele voltar a visitar esta minha página, leia este post e não fique bravo comigo.

Esta semana, no entanto, fiquei extremamente chateado com ele e nosso amigo, que estavam o tempo inteiro conversando poucos metros atrás de mim e sequer se importaram em me chamar. Eu e esse nosso amigo em comum costumávamos ser grandes parceiros, mas agora, por algum motivo que desconheço, ele vem me tratando com indiferença. Sinto que todos os amigos que faço me vão escapando pelos dedos sem me darem sequer um motivo razoável pra isso. Então eu não sei onde errei, e nunca poderei me emendar. Eu quero e preciso ter uma chance de recuperar tudo aquilo que eu julgava precioso e perdi. Dê-me uma oportunidade de pedir perdão.

“Forgiven, not forgotten” (Acústico), por The Corrs.